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Os Cinemas de Minha Vida





(Foto do interior do antigo Cine Paladium, hoje Espaço Cultural Sesc-Paladium)

Ao começar a falar de filmes e de minha fascinação pelo cinema, me dei conta de que seria necessário escrever algo sobre os Cinemas que conheci e onde tive o privilégio de assistir grande parte dos filmes de minha vida, onde nasceu toda essa minha paixão e ligação com a chamada 'sétima arte'. Falar dos Cinemas que conheci, também é contar um pouco da História desses espaços de grande importância para várias gerações, é prestar uma homenagem aos locais onde vivemos incontáveis emoções, onde moldamos parte de nossas personalidades e estivemos sempre próximos da felicidade e não sabíamos...
Comecei o meu fascínio pelo cinema, na minha cidade natal, Governador Valadares-MG, na minha infância, dos 6 pra 7 anos (1950/1951), quando ajudava um rapazinho, apelidado de 'Macaquinho' (jamais soube o seu nome), a recolher das ruas, os cartazes anunciando os filmes do dia, dos cinemas da cidade (Cine Ideal e Cine Imperial), que levávamos para os fundos do Cine Imperial, onde eu assistia os filmes por trás da tela. A distância era pequena, a tela ficava imensa e os meus olhos ficavam arregalados, minha satisfação era do tamanho da 'gigantesca' tela. Não sabia o que estava sendo dito, não me interessava as legendas (na época não havia muitos filmes dublados), mas também não faria nenhuma diferença, eu ainda não sabia ler...
Minha infância foi quase toda passada em minha cidade natal, onde vivi minhas primeiras experiências com o cinema. Somente víamos filmes nas matinês dos domingos, quando passavam as comédias curtas: 'O Gordo e o Magro', Carlitos, 'Os Três Patetas', Abbot e Costello. Os faroestes e bang-bangs do Buck Jones, Allan Lane, Charles Starrett, Mont Allen, Zorro e outros. Os seriados do Batman, Super Homem, Capitão Marvel, Flash Gordon, O Maravilhoso Mascarado, Os Perigos de Nyoka, Tarzan, Jim das Selvas,O Homem Foguete, etc e muitos desenhos animados em preto e branco, raramente coloridos, do Pato Donald, Mickey, Pateta, Pernalonga e muitos outros.
Porém, também morei em outras cidades, por um determinado tempo, passando sempre por Belo Horizonte, a capital do Estado, onde tive o prazer de assistir o saudoso 'Cine Grátis': que utilizava um projetor de 8 mm, em cima de uma caminhonete, usando uma tela branca, pendurada em um poste de ferro, que ficava no meio da rua (era assim em toda a cidade), com todos os meninos sentados no chão de paralelepípedo (calçamento da época). A sessão começava as 19 horas, com a passagem de slides comerciais (também comum nos cinemas), depois vinham os desenhos, antigos e em preto e branco, e depois as comédias do 'Gordo e o Magro', Carlitos, 'Os Três Patetas', tudo em preto e branco, terminando as 20 horas ou um pouquinho mais. Era o máximo, era viciante, era o êxtase, tanto que eu ia, no dia seguinte, para outro ponto da cidade, para assistir tudo de novo, todas as semanas, pois ele se deslocava para outros pontos da cidade todas as semanas. Eu sempre assistia na Av. Olegário Maciel, em frente à antiga garagem dos bondes (onde hoje funciona o Mercado Novo), também ia até a Av. Bias Fortes, em frente a Biblioteca Estadual, ao lado da Praça da Liberdade. Assisti o 'Cine Grátis' na praça de Santa Tereza e na Av. do Contorno, no bairro Floresta. Indescritível o meu entusiamo e fascínio naquela época, menino de 'pé no chão' (sem sapatos) e calça curta...
Mais tarde, morei, em 1956, na cidade de Patos de Minas-MG, junto com meu irmão, na casa de meu pai (separado de minha mãe) e com minhas meias-irmãs, onde assisti alguns poucos filmes no Cine Tupã e no Cine Olinta
Em 1957, morei no Rio de Janeiro, em Copacabana, por 8 meses, onde assisti filmes nos Cinemas Cine América, Cine Alaska, Cine Rian, Cine Roxi, Cine Ritz, Cineac Trianon, Metro Copacabana,etc. 























Finalmente, em 1959, minha mãe se estabeleceu em Belo Horizonte, a capital do Estado de Minas Gerais, onde moro até hoje. No entanto, passei 2 anos estudando, (1961/1962), na pequena cidade de Perdizes-MG, onde fiquei privado de ver filmes, pois não havia energia elétrica suficiente para funcionar um cinema. Nesta época, vi alguns filmes, no início e no meio do ano, quando voltava à Belo Horizonte para passar minhas férias escolares.
Morei, no segundo semestre do ano de 1963, em Uberaba-MG, onde comecei minhas anotações sobre filmes. 
Tudo começou numa 'disputa amistosa', com o meu amigo José Antonio da Silva, o 'Fubá'. Cada um falando dos filmes que havia assistido: a crítica, a resenha, as emoções sobre o que havia visto. Então, resolvemos anotá-los em um caderno e fazermos as comparações, porém existia um 'código de ética': não era permitido mentir! Até porque, cada um teria que falar sobre o filme, contar o enredo do filme, a história, citar os nomes dos atores e atrizes, etc. Esta 'batalha' me levou a fazer uma pesquisa mais ampla. Aproveitei, então, a proximidade da cidade de Perdizes, peguei uma carona e fui até lá, atrás de uma ajuda que já tinha conhecimento: o pai de um outro amigo, Sílvio, tinha uma coleção de jornais super conservados, pois era assinante do jornal "Diário de Notícias" (já extinto), do Rio de Janeiro, que lhe era enviado toda semana, pelo Correios, e chegava com uma semana de atraso... 

Fiquei extremamente feliz com o consentimento do pai do Sílvio, para que eu pudesse fazer minhas pesquisas nos seus jornais. Na época, os jornais publicavam, principalmente nas suas edições de sábado, os anúncios dos filmes que estavam sendo exibidos nos cinemas do Rio de Janeiro. Eram pequenos posteres dos filmes, onde se via o nome do filme, os atores, diretores e frases promocionais.

Com esse material recuperei, de memória, os muitos filmes que já havia visto e pude, mais ou menos, calcular a data que o havia assistido e, com a memória 'vazia' e poderosa de um jovem de 20 anos, lembrava em qual cinema tinha visto o filme, rememorando quase todo o filme, como se o estivesse vendo por uma segunda vez... Como falei, nosso 'código de honra' não nos permitia mentir, para obter ganhos de um ter visto mais filme do que o outro, por isso alguns filmes não foram anotados, por se ter alguma dúvida de ter visto ou não: não queríamos quantidade, queríamos veracidade, honestidade... outros tempos!
A partir de 1963 comecei a anotar todos os filmes assistidos e continuo até hoje. Tenho 2 cadernos com o nome do filme, país, elenco,pequena sinopse, data, nome do cinema (ou TV) e quanto paguei. 
Contudo, com o tempo e com a evolução natural das coisas, passei a anotar em um bloco de papel tamanho ofício, somente o nome, a data, onde o havia visto ou qual a mídia e o qual distribuidor, pois tudo mudou: primeiro veio a TV, depois veio o Vídeo Cassete e agora temos as mídias digitais, DVD, BLU-RAY... Com a TV vieram as publicações dos filmes (fichas técnicas) nos cadernos sobre cinema dos jornais, livros de críticos (tenho o primeiro livrinho do mais famoso crítico do país, Rubens Ewald Filho, "Os Filmes de Hoje na TV", de 1975, publicado pela Global Editora e Distribuidora Ltda), várias revistas especializadas em cinema (tenho cerca de 50 exemplares da revista 'Cinemin', publicada pela EBAL, colecionei todos os números da revista 'Set', mas já me desfiz das mesmas e, atualmente, coleciono a revista 'Preview', a sucessora da revista 'Set', possuo o guia de filmes 'DVD News, 2001', publicado pela NBO Editora Ltda, com cerca de 1.600 títulos, também de Rubens Ewald Filho, guardo ainda a 'Set' especial "1000 Vídeos", já da Editora Azul S.A e a publicação "Vídeo Book 95",  um catálogo dos vídeos lançados no Brasil, até 1995, contendo a postagem de mais de 14.000 títulos, com o nome do filme, título original, ano de produção, nome do diretor, elenco e uma pequena sinopse, este catálogo possui 512 páginas e ainda dava de bônus um disquete para computador (que joguei fora por ter ficado ultrapassado...). Hoje existe a internet que, de uma certa forma diminue o valor das publicações que possuo, mas que aumentou imensamente o meu campo de pesquisa sobre os filmes que assisti em minha vida, através de vários sites, como o IMDb, considerado o maior site sobre cinema do mundo. Tenho uma lista de filmes no IMDb, com cerca de mais de 4.300 filmes adicionados, que correspondem mais ou menos a dois terços do total de filmes que já assisti. Tenho atualizado, ou melhor, acrescentado mais alguns filmes à minha lista, mas por falta de tempo, vou adicionando aos poucos novos ou velhos filmes assistidos...

CINEMAS



Como homenagem e reverência, relaciono os nomes de vários cinemas que frequentei e conheci, onde tive o prazer de assistir um ou mais filmes, cinemas que, em sua maioria, não existem mais, força da inevitável mudança de nossa sociedade, do avanço do progresso ou dos interesses imobiliares, como também pelas novas tendências, vide as atuais 'salas' (não mais 'cinemas') dos shoppings, menores e com disputa por conforto, pipoca e refrigerantes, fora o ar condicionado mais ou menos 'gelado'. O "meu cinema" era escuro, cadeira toda de madeira, alguns com mais de 1.000 assentos, lanterninha e você chupava balinhas, um 'dropes' ou um 'mentol', em alguns tinha uma pipoquinha de carrinho, do lado de fora do cinema... Tinha, porém, regras obrigatórias: não fumar e silêncio durante a projeção. Não existia celulares e as pessoas eram mais bem educadas...

Governador Valadares: 
Cine Imperial (depois virou Chisté), Cine Theatro Ideal (depois virou Sir), Cine Pio XII e Cine Palácio.


Uberaba:  
Cine Metrópole, (que funcionava na parte térrea do Grande Hotel) e Cine Uberaba Pálace (os cinemas de Uberaba, naquela época, só era permitida a entrada dos homens com paletó ou jaqueta...)

Rio de Janeiro: Cine Metro Copacabana, Cine Metro Passeio, Cine Metro Boavista, Cine Rian, Cine Ritz, Cine Roxi, Cine Alaska, Cineac Trianon, Cine América, Cine Ópera, Cine Pathé, Cine Vila Isabel, Cine Bento Ribeiro, Cine Art-Palacio Copacabana e outros.


Belo Horizonte: Como nas principais capitais e cidades do Brasil, os cinemas inexistem, havendo somente salas de exibição nos shopping-centers.

Cinemas do centro da cidade: 
Cine Theatro Brasil - foto (prédio tombado e transformado em espaço cultural) um dos primeiros cinemas de Belo Horizonte, de 1932, construído no estilo Art Déco, com 1.827 lugares e majestosa galeria. 


Cine Metrópole, foto ao lado, inaugurado em 1942, com 1.300 lugares, foi durante anos o principal cinema da cidade e o letreiro do último filme exibido: "Tootsie" (demolido em maio de 1983, onde hoje funciona uma agência do Bradesco), 
Cine Tupi, inaugurado em 1950, com 1.800 lugares (virou Cine Jacques, em homenagem ao pai do dono do cinema e hoje é parte de shopping center, Shopping Cidade), 
Cine Acaiaca com 818 lugares (que ocupava o espaço térreo do Edifício Acaiaca e onde hoje funciona uma igreja evangélica), 
Cine Arte com 991 lugares (que virou Cine Royal e hoje é uma igreja evangélica), 
Cine Paladium - com 1.321 lugares (o mais luxuoso de BH, com poltronas de couro, virou espaço cultural Sesc Paladium, foto no início da página), 
Cine Belas Artes, com 337 lugares (espaço alternativo) Cine Clube Savassi, com cerca de 300 lugares (espaço alternativo) 
Sala Humberto Mauro (Palácio das Artes), com cerca de 300 lugares (espaço alternativo)
Cine Guarani, com cerca de 650 lugares, foto ao lado (hoje museu Inimá de Paula e espaço cultural), 
Cine São Luis, com cerca de 500 lugares (demolido nos anos 50),  
Cine Leão XIII. com 593 lugares (desativado), 
Cine Tamoio, 710 lugares (hoje dividido em pequena lojas comerciais), 
Cine América, com 1.130 lugares, foto abaixo (virou Cine México e passou por recente reforma para ser shopping de lojinhas de produtos chineses, de pirataria, informática e contrabando), 
Cine Candelária, com cerca de 2.000 lugares (destruído por um incêndio e está atualmente em ruínas), 
Cine Art-Palacio com 1.226 lugares (hoje dividido em lojas comerciais), 
Cine Regina, com cerca de 500 lugares (desativado), 
Cine Nazaré, com cerca de 700 lugares (desativado), 
Cine Glória, com cerca de 750 lugares (demolido, onde depois foi erguido um prédio de porte médio, com o nome de Super Building Valente), 
Cine Paissandu, com cerca de 600 lugares (demolido, fazia parte do conjunto chamado "Feira de Amostras", que também abrigava a Rádio Inconfidência, um restaurante popular e a rodoviária de Belo Horizonte. Hoje é somente a nova rodoviária da cidade), 
Cine Avenida, com cerca de 600 lugares (demolido, onde depois funcionou uma agência do IAPC e hoje é do INSS).


Cinemas dos bairros de BH: 
Cine Pathé, com 750 lugares, foto ao lado (Savassi, desativado e atualmente frente tombada pelo Patrimônio Histórico de MG), 
Cine Alvorada com 1.650 lugares (Santa Efigênia, onde funcionava uma casa de shows), 
Cine Santa Efigênia, com 980 lugares (Santa Efigênia, desativado), 
Cine Mauá, com cerca de 1.000 lugares (depois virou Lafayete, bairro Lagoinha)(Demolido, para construção de viaduto do complexo da Lagoinha)
Cine São Geraldo, com cerca de 1.000 lugares (demolido, para a construção de viaduto do complexo da Lagoinha)(Lagoinha), 

Cine Odeom, com 1.200 lugares, foto ao lado (Floresta, desativado), 
Cine Floresta velho, cerca de 750 lugares (Floresta, demolido) 
Cine Floresta novo, com 1.444 lugares (Floresta, atualmente funciona uma igreja evangélica), 
Cine Roxi, com 700 lugares, foto abaixo (Barro Preto, onde funcionam várias lojas comerciais), 
Cine Horto, com 1.100 lugares (Horto, desativado) Cine Independência, com 1.340 lugares (Horto, desativado)

Cine São Cristóvão - com 1.200 lugares, foto ao abaixo (demolido para o alargamento da Av. Antonio Carlos) (São Cristóvao), 
Cine Pax, com 300 lugares (Cachoeirinha, demolido),

Cine Amazonas com 1.600 lugares (Nova Suissa, desativado), 
Cine São Carlos, com 780 lugares (Carlos Prates, desativado) 
Cine Azteca, com 758 lugares (Carlos Prates, desativado), 
Cine Santa Tereza, com 1.150 lugares, foto abaixo (restaurado para espaço cultural) (Santa Tereza), 

















Cine Progresso, com 1.400 lugares(Progresso, desativado),
Cine São José, com 780 lugares (Calafate, desativado), 

Cine Eldorado, com 828 lugares, foto acima (Calafate, desativado), 
Nenhum destes prédios funcionam mais como cinema...

Outros cinemas pelo interior de Minas Gerais: 
Cine Olinta com 550 lugares, Cine Tupã com 700 lugares, ( virou Cine Garza), Cine Riviera, com 600 lugares (Patos de Minas-MG), 
Cine Trianon, Cine Barreiro e Cine Brasil (Araxá-MG), 
Cine Vitória, com 240 lugares (Santa Juliana-MG), 

Cine Teatro Rosário, com 460 lugares (Patrocínio-MG), 
Cine Coromandel (Coromandel-MG), 
Cine Caetanópolis (Caetanópolis-MG), 
Cine Marotta com 398 lugares (Paraopeba-MG), 
Cine Marrocos, com 400 lugares (Raul Soares-MG), 

Cine Brasil, foto à direita (Caratinga-MG), 
Cine Regina (Bom Despacho-MG), 
Cine Rio Grande (Lavras-MG), 


Cine Glória, com 910 lugares, foto à esquerda (São João Del Rei-MG), 
Cine Virgínia e Cine Marabá (Curvelo-MG), Cine Montes Claros, com 500 lugares e 
Cine São Luiz, com 670 lugares (Montes Claros-MG) 
Cine Popular, foto abaixo (Divinópolis-MG) e outros, provavelmente não estão em funcionamento ou foram demolidos...   



 Fontes: Google, cinemafalda blogspot, Cinemas de Rua BH e outros. 

Sobre o Autor gabriel pereira

Um Eterno Apaixonado pela 7ª Arte.
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